sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Biologia do Amor


A biologia do amor
quinta-feira, 12-09-2013
Visão

 

A análise dos afetos está a passar do divã para o laboratório
Crianças adotadas melhoram a cognição e as maltratadas registam diferenças no desenvolvimento do cérebro. Nunca se soube tanto sobre os mecanismos biológicos alterados pela relação entre pais e filhos. E ainda é só o início.
POR ISABEL NERY

Sempre se disse que o amor
move montanhas, mas nunca como agora foram medidas as consequências biológicas das vivências emocionais. Os afetos — ou a falta deles — alteram as funções cerebrais.
Os avanços da biologia, da química e da imagiologia permitiram medir e intervir. Como no caso dos estudos com oxitocina em autistas, realizados nos Estados Unidos. Um simples spray nasal desta hormona leva as crianças com dificuldade de ler sinais sociais a olharem para os outros, estabelecendo ligações normalmente impossíveis

O amor ou a extinção

O estudo das crianças adotadas tornou-se um dos maiores aliados dos investigadores que procuram respostas para os problemas de desenvolvimento e perturbações afetivas. As más experiências emocionais, sempre presentes nestes casos, deixam marcas — visíveis em máquinas de ressonância ou tomografia axial.
Talvez mais surpreendente do que a marca física do trauma seja a mudança biológica determinada pelo amor - depois da adoção. As vantagens podem ser medidas em ressonâncias magnéticas, que mostram o desenvolvimento cerebral e as zonas ativadas antes e depois. A criança adotada cresce fisicamente. Até a cabeça fica maior. E a cognição também melhora io% a i% .
Embora entenda que a adoção é vantajosa em qualquer idade, a psicóloga holandesa defende a necessidade de agilizar os processos para que se reduza ao máximo o vazio afetivo. Numa família equilibrada, ao choro do bebé responde-se com atenção. O organismo estabiliza, baixam os níveis de cortisol. Se, pelo contrário, à agitação corresponde um vazio ou uma reação agressiva, o bebé não normaliza os níveis hormonais. A falta de afeto leva a duas reações para regularas emoções: ouse fecham, num comportamento de tipo autista, ou são hiperativos, reagindo a tudo o que acontece à volta. Em ambos os casos, há um excesso de hormona de stresse no organismo. Acontece a todos os humanos mas, nas crianças negligenciadas, esse nível hormonal está sempre elevado. E deixa marcas.

Genes e lambidelas

Depois do nascimento, a história continua. A oxitocina, essencial ao parto, é também a hormona que dita a primeira ligação mãe-filho. Sem ela pode mesmo haver rejeição. Mas mais importante ainda, os níveis de oxitocina e, por consequência, o grau de felicidade e vinculações, também se alteram com as experiências de vida.
Estudos com mulheres abusadas ou negligenciadas em crianças mostram que, quando adultas, têm níveis mais baixos de oxitocina do que as não abusadas
— Amor, Sexo e a Ciência da Atração.

A oxitocina é essencial na produção de leite e na contração do útero, mas também na sensação de que aquele bebé é o mais especial do mundo.
Já se sabia que o afeto tinha implicações no comportamento, mas os dados produzidos pelas neurociências permitiram perceber os mecanismos por detrás das ligações emocionais entre pais e filhos, e como eles interferem no desenvolvimento fisiológico. Não restam dúvidas, diz o neurocientista:
- O amor pode mudar o cérebro.
Os genes continuam a ser atores importantes no futuro de cada ser humano, mas a ciência valoriza cada vez mais a epigenética a que sofre alterações com o ambiente e as vivências sociais
 

"Adicted lo love"

A adição é outra pista cada vez mais seguida no estudo da biologia dos comportamentos. Pode parecer chocante, mas o consumo de heroína e o prazer sentido na troca de atos entre pais e filhos ativam os mesmos processos biológicos. A substância neuro-hormonal provocada pela heroína é semelhante à produzida na brincadeira entre pais e filhos. São moléculas que encaixam nos mesmos recetores, embora a droga produza maiores quantidades de hormona.



Se olharmos durante 30 minutos para um bebé, a dopamina
(hormona do prazer) aumenta e sentimo-nos bem.

Sem comentários:

Enviar um comentário